Um ano já se passou e as pessoas continuam isoladas desde que começou a pandemia. Já perdemos a noção do tempo. Os dias, as semanas e os meses passam sem pespectivas. Vivemos há um ano com medo, sem poder fazer muitas coisas, muitos estão trabalhando em casa on-line, outros perderam seus empregos, reduzindo consideravelmente a vida social, lazer e atividade física. E por outro lado aumentou o nível de estress pois a vida mudou radicamente. Vivemos constantemente a incerteza, sem conseguir traçar objetivos a curto e médio prazo. O Diretor Geral da Organização Mundial da Saúde, Adhanom Ghebreyesus, desde o início da pandemia já alertou sobre a necessidade de investimento em serviços de saúde mental.
Com certeza, ja passamos do ponto de ser apenas um momento entediante, vivemos estressados constantemente. O stress libera uma substância em nosso cérebro chamada cortisol. O aumento do cortisol tem sido associado a vários problemas de saúde, incluindo taquicardíaco, rápido ganho de peso, osteoporose, pressão alta, fraqueza muscular e alteração de humor. Para pessoas mais sucetíveis o estress pode causar ansiedade, sensações parecidas como a da síndrome do pânico, depressão e perda de memória que afetam as atividades da vida diária. Esta circunstância pode ser ainda pior das pessoas que vivem sozinhas e não tem apoio diário nas relações de trabalho, amigos e familiares. A interação social é fator fundamental para a saúde mental das pessoas. Ficar confinado por muito tempo pode ter um efeito nocivo no futuro, afetando o bem estar mental e podendo aparecer sintomas de impulsividade, agitação ou apatia, confusão mental e violência, muitas vezes autodirida. O confinamento solitário pode resultar na intensificação de uma condição mental preexistente.
Sem dúvida, esta pândemia está nos fazendo mudar, e nos dá uma lição indicando a necessidade de nos reinventarmos para não adoecer. Algumas pessoas são mais resilientes e já perceberam que precisam ocupar seu tempo com atividades diversas como exercícios dentro ou fora de casa procurando lugares mais calmos, outras começaram atividades que sempre sonharam, como ter mais tempo para brincar com os filhos, aprender a tocar um instrumento musical, outro idioma, testar novas receitas culinárias, pintar quadro, jardinagem, reforma de um móvel, entre outras. Muitas destas atividades podem ser encontradas com lições gratuitas na internet. Se você é uma destas pessoas que está em busca de novas atividades, seja persistente, e não se fruste se fizer pela primeira vez a atividade escolhida e não der certo. A persistência pode te levar a perfeição ou talvez não te leve a perfeição mas lhe traga uma sensação de satisfação. Fazer atividades prazerozas ativa no cérebro a produção de endorfina e serotonina que atuam como antidepressivos, e são responsáveis pela sensação de relaxamento, alegria e bem-estar. Neste cenário, as pessoas adquirem mais leveza, enfrentando as dificuldades com resiliência, e reconhece que não é possível exercer o controle sobre tudo, conservando o alto astral mesmo diante de situações adversas.
Muitas pessoas são incentivadas pelas redes sociais a mostrar sempre uma vida perfeita, mas cada pessoa é um sujeito singular e enfrenta suas dificuldades da melhor maneira que encontra. Porém se seu sofrimento está virando adoecimento, pense que chegou a hora e procure ajuda de um profissional que possa auxilia-lo e lhe ajude a compreender melhor o que está passando. Ele pode lhe oferecer uma escuta diferenciada e acolhedora. Lembre-se sua saúde é o bem mais precioso que você tem.